Polícia Federal (AM) investiga culto religioso com 400 pessoas na Comunidade Indígena de Feijoal em Benjamin Constant

Foto: Divulgação

A Polícia Federal em Tabatinga investiga um culto religioso realizado dentro da Terra Indígena Feijoal, em Benjamin Constant (AM), no dia 28 de março, com a presença de 400 pessoas vindas de dentro e de fora da comunidade. O pastor da Igreja Mundial do Poder de Deus é um servidor indígena da Fundação Nacional do Índio (Funai). Mesmo alertado da ilegalidade do ato, ele prosseguiu com a cerimônia. O local é território da etnia Tikuna, onde moram cerca de 4.500 indígenas.

Agentes da Funai e do Distrito Sanitário Especial Indígena (Dsei) Alto Rio Solimões estiveram na comunidade antes da realização do evento para alertar o pastor Davi Cecílio Felix, também da etnia Tikuna, que a ação contrariava as recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS) e de órgãos federais, estaduais e municipais no combate e prevenção à pandemia, além de ser um ato de insubordinação, por ele se tratar de um servidor federal.

A Funai enviou as seguintes informações ao De Olho nos Ruralistas:— Numa reunião com o cacique, diversos representantes religiosos e outras lideranças locais, as equipes das duas instituições expuseram diversos argumentos técnicos, sanitários, legais e até religiosos para que o culto não fosse realizado. Foi enfatizado quanto a ilegalidade e a periculosidade da realização do culto.

E, ainda houve diversas tentativas de que se cancelasse o evento, via telefone.Em vão. O culto não só foi realizado, como continuam a acontecer todas as sextas, sábados e domingos. Mas o de março teria sido o maior, pois se tratou de uma cerimônia em comemoração ao aniversário da igreja, onde até indígenas do Peru – país fronteiriço – estiveram presentes. A investigação ocorre em Tabatinga, município estratégico na região, na fronteira com Peru e Colômbia.

MUNICÍPIO DECRETOU CALAMIDADE PÚBLICA

O município de Benjamin Constant já tem dez óbitos — não somente entre indígenas — e 92 casos, segundo boletim divulgado na quarta-feira (13). De acordo com o IBGE, o município a 1.184 quilômetros de Manaus, tão a oeste que seu fuso-horário é o mesmo do Acre, tem 42.984 habitantes.Conforme dados da Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai), órgão ligado ao Ministério da Saúde, a região do Alto Rio Solimões, onde estão inseridas as cidades de Tabatinga e Benjamin Constant, na tríplice fronteira (Peru, Colômbia e Brasil), é onde estão concentrados os maiores índices de contaminação e mortes entre os indígenas: 129 casos confirmados e dez óbitos, considerando apenas aqueles que vivem nas aldeias.

O número de infectados corresponde a 46% de todos os 34 distritos sanitários do país e o de óbitos a 52%. A prefeitura de Benjamin Constant decretou em 24 de março estado de urgência no município e adotou o isolamento e a quarentena como medidas preventivas, com autorização de força policial em casos de descumprimento da lei. Em 16 de abril foi publicado o decreto obrigando o uso de máscaras.No dia 1º de maio a prefeitura decretou estado de calamidade pública.

Benjamin Constant não tem hospital de alta complexidade e os casos mais graves são transferidos para Manaus, que está com o sistema de saúde colapsado e onde um indígena da etnia Tikuna foi contaminado dentro do hospital, após ser levado para outro tratamento. Os Tikuna, assim como os Kokama, duas etnias populosas, são os que mais engrossam as estatísticas de mortes e infectados indígenas em todo o Brasil.

Por: deolhonosruralistas.com.br